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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 6 dias
@tarabori

Obrigada por seus comentários. Olha, eu não entendo muito bem de linguística, em termos científicos, o que eu sei é que a língua evolui. Novas palavras e até novos sentidos de palavras vão se agregando ao linguajar, a partir, adivinhe, do linguajar.

Neste quesito, eu já havia comentado certa vez com meu ilustre amigo e colega Dr. Farley Menezes, quando eu trabalhava no escritório dele e nós discutíamos justamente certos termos em uma petição de uma ação muito importante que estávamos revisando juntos. Eu "embarguei" um determinado termo, alegando que estava incorreto. Daí ele me veio com a mesma coisa: dizendo que um professor de português não sei das quantas disse que era correto. E por fim, disse a mim que "a língua evolui". Eu me lembro de ter dito exatamente essas palavras: "e pelo visto involui também, já que de tanto o povo falar errado, o erro vira acerto".

Eu não sei se penalizar no sentido de "condenar, multar, punir, reprimir, torturar, apenar, etc", ou em qualquer outro sentido que seja sinônimo de punir e apenar, bem como na mesma linha, os vários sentidos para a flexão "penalizado", estão no "dicionário" desde sempre ou se é apenas uma variação imposta pelo linguajar dos últimos 20 anos. Meu Aurélio mais "novo" é 1992 e fora isso, tenho um Caldas Aulete de 1900 e borrachinha. Muito do meu conhecimento da língua vem de antigos hábitos de leitura, especialmente de clássicos, onde neologismos não existem, pois em obras antigas, o sentido das palavras aparecem em suas versões originais e não nas novatas. A dação de novo sentido às palavras também é uma forma de neologismo. Então, pode ser que uma palavra adquira novo sentido imputado pelo linguajar popular até que se agregue tanto à língua que a cada revisão de editores, os linguistas especializados resolvam "dar o braço a torcer" e incluir novos sentidos de palavras. Isso é possível, e não sei se é o caso em comento.

Mesmo assim, nós, advogados, devemos dar preferência á língua culta, portanto, na medida do possível, sou da severa opinião de que devemos evitar neologismos. Especialmente esse, que vem da atribuição de novos sentidos a palavras já existentes. O neologismo no sentido de novas formações de palavras às vezes é inevitável pois aparecem na própria lei, como "feminicídio", por exemplo.

Então, eu vou mudar o PS do meu comentário acima para dizer que, "em todos os casos, consultar dois dicionários é essencial: uma edição nova e outra com mais de 20 anos de edição". Assim, podemos filtrar as palavras e evitar os neologismos, o que nos permitirá dar preferência à norma culta da língua, pois ela indica que o escritor tem hábito linguístico distinto da população em geral, que por falta de base de conhecimento, muitas vezes, estão mais suscetíveis ao falar mais livre. Com o tempo, de tanto se usar uma palavra em certo sentido, ela pode mesmo, mudar de sentido oficialmente. Mas até que isso ocorra, o uso é um erro puro e simples. E logo que isso ocorra, a alteração do sentido é um neologismo, o que, via de regra, também é algo se evitar na linguagem culta, justamente porque eles podem sim, em sua origem, derivar de um erro.

Outra coisa a se considerar é que o novo acordo ortográfico buscou unificar o português brasileiro e português e isso trouxe muita novidade. É sabido que várias palavras, semanticamente, tinham sentidos diferentes nos dois idiomas. E agora, com o novo acordo, será natural a observância de palavras antigas com sentido novo nos textos modernos. Então, são muitas variáveis a se levar em conta.

Assevero, no entanto, que esse debate é livre. Eu não consultei um dicionário antigo pra saber se penalizar já estava lá nos sentidos sinônimos de apenar e punir. E nem pra saber se esses sentidos são novos, ou se são apenas oriundos da unificação do novo acordo. Mas seu comentário me fez lembrar do caso do escritório que eu comentei e decidi compartilhar aqui. Por isso, o uso de dicionários é essencial. Mas é como eu já comentei várias vezes antes: nada substitui o hábito de leitura, especialmente da literatura clássica. Só isso nos permite ter à nossa disposição um universo de palavras suficientes para que possamos evitar aquelas que sejam neologismos, ou que possam ter sentido diverso do pretendido e por aí vai. Quem tem um vocabulário extenso sempre saberá sair das saias justas e escrever um texto irretocável! No exemplo em comento, se o camarada usar punir ou apenar para o sentido de punir ou apenar, não haverá dúvidas de que esteja escrevendo e falando corretamente. Já se usar penalizar no mesmo sentido, longos debates se iniciam pra definir se está ou não correto. O texto do advogado, bem como seu modo de falar em público, tem que estar acima de qualquer tititi que ponha em cheque sua capacidade e conhecimento. Mesmo porque, ao usar uma palavra de sentido duplo, mesmo estando certo, se alguém interpretar como incorreto, ele não terá a chance de se explicar, e vai passar por ignorante. Melhor evitar confusão, usando as palavras em seu sentido clássico.

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